domingo, 8 de maio de 2011

LIVRO DO DIA: RAFA E A LIBERDADE


Segundo volume das aventuras de Rafa, este romance acompanha o herói numa viagem que realiza sozinho, como forma de afirmar a sua independência e de mostrar a sua desilusão face à decisão do pai de adiar uma viagem a Roma que lhe tinha prometido. Depois de cruzar praticamente a Espanha, de Barcelona até Vigo, Rafa vai cruzar-se com um camionista português que o transporta até ao Porto. É aí que descobre novos amigos e uma independência que não conhecia, ao mesmo tempo que ganha confiança em si próprio e nas suas capacidades, antes do regresso a casa para junto da família. Com um discurso ágil e um ritmo vivo, que acompanha
com pormenor todas as acções da personagem, a narrativa inscreve-se nos moldes de comportamento juvenis contemporâneos, facilitando a identificação por parte dos leitores. Em termos narrativos, este romance caracteriza-se por ser mais linear do que o anterior, não revelando particular exigência ao nível de leitura.

(Ana Margarida Ramos)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ENTREVISTA A MARGARIDA FONSECA SANTOS

A minha vida mudou quando decidi dedicar-me à paixão que é escrever. Comecei pela literatura infantil, depois segui para a juvenil, mas nunca deixei de escrever para adultos. Ensinar a escrita e contar as minhas histórias são as duas outras paixões.

Margarida Fonseca Santos


“Reconstruir as lendas” e “Avançar na sombra” são as obras que deram mote a esta entrevista feita pela Trinta Por Uma Linha à escritora Margarida Fonseca Santos.


1) Qual foi a sua inspiração para escrever estes livros?
Estes livros nasceram de uma insistência dos leitores do Reino de Petzet – os primeiros três livros foram construídos durante anos, com a paciência de quem constrói a sua história mais importante, não tenho dúvidas disso. Os leitores queriam que houvesse uma forma de saber como tudo começara – e aí nasceram estes dois livros. São, também eles, uma porta aberta para entrar no Reino de Petzet.
Aqui se encontram coisas que para mim são fundamentais – a força da amizade e entreajuda, o domínio da mente e o respeito pela mente dos outros, a coragem de assumir o que fazemos bem e que resulta em bem para os nossos semelhantes, enfim, aquilo em que acredito como pessoa. Podem dizer: mas não existe Fluxo de Energia na vida real. Mas eu respondo: Não? De certeza? Pois é, de certa forma, tudo o que aqui se conta pode e deve ser muito real!


2) Fale-nos um pouco das personagens Siri e do neto Siridgum, o que é que nos pode revelar?
Estas duas personagens, centrais nestes dois livros, dominam o uso do Fluxo de Energia como poucos, pois aprenderam a fazê-lo de forma natural na infância ou com mestres especiais. Siri é uma mulher ágil apesar da idade, muito lúcida e capaz de partilhar os conhecimentos que tem. Siridgum, que viveu com ela por morte dos pais, vai transformar-se aos poucos numa das peças fundamentais da Resistência à ditadura que reina em Petzet – é um rapaz forte, consciente, corajoso e muito, como direi… humano.


3) Uma das mensagens que pretendeu transmitir foi que as posses, as influências e as aparências não têm tanto valor quanto se possa julgar?
Se calhar, podemos dizer que não têm qualquer valor quando pensamos no valor da vida humana e na capacidade de viver bem com os outros. Não me preocupei em dizer que posses, influências e aparências eram menos importante, preocupei-me muito em mostrar o que para mim é importante na vida – amizade, lealdade, consciência.


4) Qual foi o seu objectivo ao criar esta história juvenil em torno da Resistência e do Fluxo de Energia? É uma espécie de apelo à união?
Se pensarmos bem, tanto a Resistência como o Fluxo de Energia podem estar presentes em cada minuto das nossas vidas. Basta ver como nos influenciamos uns aos outros com a nossa forma de ver as coisas, como potenciamos o que somos quando nos concentramos no que é fundamental para nós… A concentração, força, determinação e clareza estão à nossa espera a cada minuto, só é preciso aprender a fazer disso a nossa forma de viver.
A união entre as pessoas talvez seja o segredo de toda a Humanidade. Mas, que dizer em relação ao respeito das pessoas que não são como nós? Ou que pensam de forma diferente? Ou que escolhem outros caminhos? É uma aprendizagem enorme entender as diferenças e respeitá-las.


5) Qual tem sido a receptividade dos jovens quando vai às escolas e fala sobre esta colecção?
Ora aí está uma boa pergunta!
Um dia fui a uma escola onde uma turma tinha trabalhado estas obras. Foram quase 2h30 de conversa – queriam saber tudo e falar sobre o que tinham sentido ao ler.
Mas a verdade é esta: os leitores, quando lhes perguntam “porquê estes livros?”, sentem talvez algum embaraço… Como é que se fala nesta espécie de segredo? Fizemos um encontro de fãs e todos falámos do mesmo. Não se consegue dizer em duas ou três frases o que significa mergulhar nesta história!
Uma vez, com várias turmas da escola Jorge Peixinho, no Montijo, aconteceu uma coisa incrível. Ao virem pedir os autógrafos, os alunos foram-me agradecendo os livros (!), ou mostrando a parte que mais os tocara, ou dizendo que os livros tinham mudado a sua forma de pensar. Na última sessão, um rapaz pediu para falar e disse que tinham aprendido que é possível ter esperança nas coisas da vida. Pode calcular como me senti a seguir…


6) Estes livros são uma forma de conduzir os jovens a um treino mental que pode ajudar descodificar e estimular o imaginário deles? Que os vai guiar até ao lado B das histórias?
Claro! A ideia de chamar O lado B das histórias a esta colecção é mostrar que todos, sem excepção, podem treinar-se mentalmente para serem mais conscientes, mais calmos, mais observadores, mais tolerantes e mais sólidos como pessoas na sociedade.
Os exercícios que as personagens de Petzet fazem para se equilibrar ou entender experiências são técnicas que se usam no treino mental. Pena é que não se ensine isto desde os 10/11 anos…


7) O Reino de Petzet já conta com um site, um blog e uma página no facebook, como é que isto foi surgindo?
Sim, o mais importante é a página: http://www.petzet.margaridafs.net/ Esta página foi construída pelos leitores, sem eu saber. Um dia apanhei uma troca de mails entre eles que, sem querer, me desvendaram esta ideia. Quando me mostraram o que tinham feito, eu nem queria acreditar. O Tomás (que fez mesmo muito por esta saga!), a Raquel e o Rodrigo não param. E vamos conseguindo juntar cada vez mais pessoas que falam connosco. Está agora alojado na minha página pessoal, pois funciona melhor.
Digamos que o blog foi o primeiro, mas poucos o conhecem. A ideia era dar a conhecer o Reino de Petzet. Foi assim que me liguei a alguns dos fãs. O facebook foi uma necessidade, e acredito que tenha ajudado a fazer sair a história da sombra. O site transformou-se no ponto mais importante, pois quem lá for encontra tudo sobre todos os livros.


Para terminar ficam aqui alguns comentários que foram ficando registados e que ajudam a Margarida Fonseca Santos a continuar…


Este é o meu livro preferido, de toda a vida. Desde que o li, mais nenhum livro me prendeu. É mágico... Nem sei o que dizer... (Tomás)


A única coisa que me enerva é não ser mais rápida a ler...a curiosidade é tanta que tento sempre adivinhar o que vem a seguir!!! Saga fantástica... (Sofia)


Também são os meus livros preferidos! Sou doida por essa história! Já li esses livros por duas vezes! Quando começo já não consigo parar, é uma história emocionante.(Raquel)

LIVRO DO DIA: POEMAS PARA BRINCALHAR


Não é brincadeira, hoje o livro "Poemas para brincalhar" de João Manuel Ribeiro com ilustrações de Anabela Dias está com 40 por cento de desconto na Feira do Livro de Lisboa.

João Manuel Ribeiro deu à estampa, nos últimos tempos, algumas colectâneas de poesia para a infância que se distinguem pela forma como o autor, revisitando a tradição, nomeadamente herdada das rimas infantis, a recria, reinventa e subverte, submetendo a linguagem a um produtivo processo de desconstrução, capaz de sugerir novas possibilidades de leitura. Esta dimensão mais lúdica da construção poética é também o fio coesivo desta colectânea, como se compreende desde o título. De temática diversificada, percorre os texto um mesmo desafio às possibilidades da linguagem e das suas múltiplas combinações fónicas, melódicas e rítmicas, lexicais e semânticas. Resultando muitas vezes em efeitos cómicos, pelos resultados encontrados, os poemas tiram partido da plasticidade que caracteriza a linguagem, tornando a poesia acessível a todos, incluindo a leitores (e escritores) mais pequenos, capazes de se reverem nos textos e nos processos de escrita que eles encerram. Com subtis ilustrações de Anabela Dias, os textos ganham expressividade que também é visível no arranjo gráfico cuidado da publicação.
(Ana Margarida Ramos)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "AMÍLCAR, O CONSERTADOR DE BÚZIOS CALADOS"

No próximo sábado, pelas 21h30, a Casa da Cultura da Trofa será o palco para o lançamento do mais recente livro da TRINTA POR UMA LINHA “Amílcar, o consertador de búzios calados” – Conto vencedor do Concurso Lusófono da Trofa – Conto Infantil – Prémio Matilde Rosa Araújo, da autoria de Mario João Alves (texto) e Ana Justo (ilustrações).
Este lançamento insere-se na abertura do Encontro Lusófono de Literatura Infanto-Juvenil.

ANTON - LIVRO DO DIA


Hoje este livro de Simão Vieira está com 40 por cento de desconto na Feira do Livro de Lisboa.

Anton, o menino que empresta o título à narrativa, relata a sua experiência, desafiando os leitores a perceberem a situação em que se encontra de uma perspectiva completamente diferente. A questão linguística (e até a reflexão metalinguística!), a comunicação com os colegas e os professores, o estabelecimento de parcerias e de cumplicidades, a aprendizagem de uma língua estrangeira e a construção do conhecimento sobre essa segunda língua em confronto com a língua materna, a construção de uma auto-imagem são alguns dos eixos ideotemáticos à volta dos quais, de uma forma acessível, promovendo a identificação e o reconhecimento, se desenvolve a intriga. (...) As imagens, num registo muito simples, destacam-se pela subtileza e expressividade dos traços, capazes de comunicar, em sentido literal e metafórico, a riqueza interior da personagem, os seus dilemas interiores e a sua particular visão do mundo, marcada pela positividade. (Ana Margarida Ramos)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

ENCRAVA-LÍNGUAS RECOMENDADO NA LER

Na revista “LER, Livros & Leitores” número 102, Carla Maia de Almeida destacou o livro Encrava-Línguas de João Manuel Ribeiro com ilustrações de Sara Cunha (pág.83), num texto intitulado "Ginástica da língua" (que a seguir transcrevemos):

Pertencendo ao domínio das rimas infantis, o trava-línguas – textos destinados a ser ditos muito depressa, causando efeitos cómicos ou absurdos – são importantes para as crianças durante a fase de exploração da palavra, entre os três e os seis anos. A sua brevidade, os padrões sonoros/rítmicos e a presença de elementos repetitivos ajudam à memorização, sem por isso extraviarem o lado lúdico da linguagem, essencial ao desenvolvimento das competências leitoras. De João Manuel Ribeiro (n.1968), escritor e editor da Trinta Por Uma Linha, Encrava-Línguas responde a esse estímulo, operando com desenvoltura entre a construção e a desconstrução de sentidos. Um exemplo: «Pus os pés nos pós pretos. / Pus os pós nos pés pretos. / Pus pretos de pós os pés. / Que poeirada!». O trabalho de ilustração atém-se a um registo decorativo, mas isso não diminui o valor da obra. É que, tal como as lengalengas, adivinhas, provérbios, também os trava-línguas realizam o que se designa por «ginástica da língua». Numa época em que se salta de plataforma em plataforma (digital), é como voltar à ginástica sueca e ao leite Vigor. Ou seja, faz bem. Dos mesmos autores e editora, veja-se também o livro Improvérbios, para outras variantes sobre textos descendentes do património oral. [Carla Maia de Almeida
]

segunda-feira, 2 de maio de 2011

LIVRO DO DIA: EMÍLIA E O CHÁ DE TÍLIA


"Emilía e o chá de tília" de Alexandra Pinheiro com ilustrações de Sandra Nascimento é o destaque de hoje na Feira do Livro de Lisboa, onde a TRINTA POR UMA LINHA está representada pela Gatafunho (Ana Paula Faria Editora), no Pavilhão A16.

Reciclando ingredientes do universo das histórias maravilhosas, esta narrativa, de estrutura tradicional, apresenta as propriedades terapêuticas do chá para a solução dos problemas de mau humor de uma princesa diferente. Em vez de propor a alteração anatómica dos pés da princesa, demasiado grandes, o narrador defende a aceitação da diferença e a adopção de uma atitude mais positiva e mais activa perante a vida. As ilustrações, muito coloridas e cheias de pormenores, como é o caso dos padrões e de outros elementos visuais, enchem as páginas e sublinham a dimensão mágica do livro. (Ana Margarida Ramos)

VERSOS DIVERSOS É O LIVRO DO DIA

Colectânea de textos poéticos da autoria de Nuno Higino, um dos mais talentosos poetas da nova geração de escritores, Versos Diversos agrupa textos de diferentes temáticas que, em comum, têm o jogo com a linguagem e a procura de dar voz e sentido a um conjunto de preocupações e interesses infantis. O jogo e o humor são outros ingredientes importantes que se combinam com a exploração das palavras, tanto em termos da sua forma como do seu significado, promovendo leituras lúdicas dos textos. As ilustrações, muito simples e coloridas, procuram, nem sempre com sucesso, captar os elementos centrais dos poemas e caracterizam-se pela ingenuidade do traço e da representação, numa simulação, nem sempre conseguida, com a linguagem visual infantil. (Ana Margarida Ramos)

LIVRO DO DIA: "UMA HISTÓRIA QUE SE PARTE"

"Uma história que se parte" está com 40 por cento de desconto, hoje, na Feira do Livro de Lisboa. Os livros podem ser adquiridos no Pavilhão A16.

O autor, Pedro Ribeiro Dias, vai estar presente na Feira do Livro, ao final da tarde, para dar autógrafos.

Uma História que se parte conta como um rei de pano, infeliz com a guerra entre a luz e as sombras, consegue devolver a alegria ao seu reino, a província de Nokto. Numa narrativa encantatória (e encantadora), Pedro Ribeiro Dias passeia-se à vontade entre o fantástico e o real. E este não é o primeiro rei triste que se lhe conhece, havia um outro em A Cidade Coração, seu livro de estreia. Aqui, o amor do pequeno rei por uma menina de loiça e a força poderosa do perdão fizeram o que sempre fazem os bons sentimentos: trazem harmonia a quem os vive. Das ilustrações que acompanham a história, destaque para a capa e contracapa e para o rodapé de miniaturas das personagens (nas guardas). Um livro em que o eterno combate entre a luz e as trevas se resolve na natural sucessão do Dia e da Noite, os nomes que os protagonistas escolheram para os seus dois filhos. Uma história para se repartir. (Rita Pimenta)

domingo, 1 de maio de 2011

MÃOS MÃOS MÃOS - LIVRO DO DIA NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

Mãos Mãos Mãos é o livro que inaugura a colecção Pim Pam Pum,destinada aos mais pequenos dos pequenos. A partir das mãos, as mãos com as quais – como diz o poeta - tudose faz e desfaz, a autora, Francisca Maia, designer de profissão, apresenta um conjunto de rimas infantis, a raiar o nonsense, que divertem pela sonoridade e pela associação à ilustração, onde cadadedo oferece o rosto a um personagem diferente, em pose desafiadora e divertida. Este é um livro, não só para ler, mas para ver e rever, para deliciar os olhos e divertir os ouvidos, o coração e, obviamente, as mãos. Mexe com (alguns d)os sentidos e troca-lhes as voltas e os ritmos. É um livro para educar (as mãos, o olhar e o coração de) meninas e meninos.