quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

«A AVÓ COME MUITO QUEIJO, É O QUE É!» NA TIME OUT LISBOA


O livro «A avó come muito queijo, é o que é» de Manuela Leite e Gabriela Sotto Mayor foi um dos principais destaques na secção Miúdos (página 52) da revista Time Out Lisboa, da primeira semana de Fevereiro.

Quando abrimos o livro já vamos de apetite aberto por um título que nos faz sorrir. Quem é que resiste a uma avó que gosta de pregar partidas e que passa a vida a mudar as coisas de sítio? Depois vem o murro no estômago. Afinal a avó não faz amizades novas todos os dias. Mas todos os dias pessoas novas trazem-na a casa quando se perde na rua. Afinal a avó não gosta de esconder os objectos. Simplesmente não se lembra do lugar deles. Uma história (só) aparentemente ligeira, contada na primeira pessoa por uma neta que vai assistindo à deterioração cognitiva da avó. Dói-nos por dentro a página em que esta deixa de conhecê-la, faz-nos pensar naquele parente chegado (a nossa avó?) a quem aconteceu o mesmo. Este é um livro-álbum que todos os miúdos deveriam ler para entender melhor as doenças dos muito graúdos (a autora fez doutoramento sobre a demência de Alzheimer). As ilustrações de Gabriela Sotto Mayor, que também ajudou a escrever o livro, são cinco estrelas.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

«O RAPAZ SEM ORELHAS DE BURRO» NO CÂMARA CLARA

Liberdade - foi o que quis «o rapaz sem orelhas de burro». Um rapaz perfeitinho que nasceu num país onde os homens e as mulheres têm orelhas de burro. Destemido e ousado, este filho de Marta Madureira e João Manuel Ribeiro decidiu encarar o príncipe orelhudo, desafiar a justiça que era, afinal, uma injustiça e honrar a sua diferença até ao fim.

Foi assim descrito o livro «O rapaz sem orelhas de burro» no programa Diário Câmara Clara (RTP 2), de 10 de Fevereiro.
Pode ver a partir do minuto 03:37.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

MUITO QUEIJO, É O QUE É!

«A Avó come muito quejo, é o que é!».
Esta foi a metáfora que Manuela Leite e Gabriela Sotto Mayor encontraram para falar, escrever e ilustrar sobre a doença de Alzheimer. E eis como um assunto que dá «pano para mangas» pode ser «explicado» de uma forma tão singela e simultaneamente tão profunda. Isto mesmo nos explicaram as autoras ao falar dos motivos e preocupações que estiveram na génese deste livro. Assim mesmo, tudo explicadinho, esta manhã, na Salta Folhinhas. Primeiro, uma (pre)ocupação profissional, depois um projecto de estudo e investigação e, finalmente, um livro laboriosamente partilhado.
Um livro que pode ser útil para meninos com avós especiais, avós que comam muito queijo ou nem por isso! «Um livro que cumpre uma responsabilidade social», como nos lembrou António Pimenta, responsável do Montepio Geral, instituição que, por via da sua fundação, patrocinou esta edição. Um livro que honra e orgulha o trabalho social que o Montepio desenvolve há largos anos e vai continuar a desenvolver.
Depois, e para o caso de perdermos a memória do momento, seguiu-se uma prolongada sessão de autógrafos.
Assim é que é, é o que é!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

2ª EDIÇÃO DE «O BICHO DE SETE CABEÇAS»

Já está disponível a 2ª edição do livro «O bicho de sete cabeças - História de uma eleição democrática» de Carmen Zita Ferreira (texto) e Sandra Serra (ilustração), recomendado pelo Plano Nacional de Leitura e pela Casa da Leitura.
"Numa localidade chamada Cata-vento, a população elege o bicho de sete cabeças como seu presidente. Na hora da tomada de posse - a coroação - aparece um problema: - Qual das cabeças coroar? A partir deste facto, a autora, Carmen Zita Ferreira, propõe uma reflexão sobre as qualidades de um líder democrático. O resultado é inesperado.
As ilustrações de Sandra Serra emprestam a esta metáfora política o cenário ideal para uma leitura prazenteira."

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

OS LIVROS TAMBÉM TÊM ORELHAS

«Os livros também têm orelhas». Quem o disse foi o jornalista Fernando Alves, no passado Sábado, na apresentação do livro «O Rapaz sem Orelhas de Burro» de João Manuel Ribeiro e Marta Madureira, na livraria Cabeçudos, em Lisboa.
Deixamos aqui o texto para que ninguém possa fazer ouvidos de mercador ou baixar as orelhas…
«Se eu não tivesse tomado estas notas, ia falar muito depressa. Ia, quase de certeza atropelar as palavras e as ideias.
Eu falo muito depressa. E as minhas orelhas não conseguem acompanhar a velocidade das minhas palavras. Quando está muito vento, é ainda mais difícil. É por isso que, no meu trabalho na rádio, uso auscultadores. Com os auscultadores as minhas palavras ficam ainda mais tempo nos meus ouvidos. Assim posso medir e pesar o que digo. E posso saborear melhor as palavras. Os ouvidos, protegidos pelas orelhas, ajudam a saborear as palavras. É por isso que, quando não estou na rádio, mas preciso de pensar de uma maneira arrumada, como se estivesse na rádio, ponho as mãos em concha, junto aos ouvidos. Parece que a minha boca fica encostada ao ouvido. Parece que a minha voz nasce nas minhas orelhas.
Já quando penso silenciosamente ou estou a ler um livro não é como se não precisasse de orelhas. É capaz de existir uma espécie de mão em concha dentro da minha cabeça. Ou uma orelha para apanhar as vozes que falam dentro dos livros. Quando leio uma história, a minha cabeça fica cheia de vozes. Há-de haver uma orelha invisível dentro da minha cabeça, porque as vozes dos livros não podem entrar na minha cabeça só pelos olhos.
Gosto de pensar que as vozes saltam dos livros para a orelha invisível que está dentro da minha cabeça. E entretanto descobri que quando lemos também falamos com os livros. Por alguma razão, OS LIVROS TAMBÉM TÊM ORELHAS. Perguntem ao autor deste livro «O rapaz sem orelhas de burro», o que são as orelhas dos livros. É uma maneira de meter conversa. Aliás, há leitores que têm o hábito de fazer orelhas nas páginas dos livros. Sempre que interrompem a leitura, fazem uma orelha na página. Deve ser para o livro os ouvir quando regressam à leitura e parecem perguntar, com os olhos e com os dedos: “Onde é que eu ia?”.
Um livro pode ter as orelhas que quisermos. Mas, com ou sem orelhas, os livros estão sempre à escuta do que lhes dizemos, mesmo em pensamento, quando o lemos. Um poeta de que gosto muito, Carlos Drummond de Andrade, escreveu um poema chamado POEMA ORELHA. Começa assim: “Esta é a orelha do livro / por onde o poeta escuta / se dele falam mal / ou se o amam”.
Eu até desconfio que, às vezes, os livros podem ficar com as orelhas dormentes.
Também este livro é sobre um rapaz sem orelhas de burro. O que é que tem de espantoso um rapaz sem orelhas de burro? Tem que a história se passa num país onde TODOS têm orelhas de burro. O autor explicar que foi um castigo, que as fadas se quiseram vingar do príncipe e lhe fizeram o feitiço de ficar com orelhas de burro e que o feitiço caiu sobre todos os habitantes desse país. Ora como os príncipes têm de ser (ou parecer) maravilhosos (senão as revistas cor-de-rosa não se vendiam) ter orelhas de burro passou a ser uma coisa formidável. O autor desta história escreve que “as orelhas de burro tornaram-se um símbolo nacional”.
Eu estava a ler a história e pensei: por que é que ninguém se lembrou de chamar às orelhas de burro “orelhas de príncipe”? Assim as pessoas podiam usar nas orelhas umas flores chamadas “brincos de princesa”.
O que eu acho é que os serviços de propaganda desse país eram muito duros de ouvido. Ou então, tudo se complicou quando nasceu um rapaz perfeitinho (é assim que o autor o descreve). É o rapaz sem orelhas de burro desta história. Quando lerem o livro hão-de ver a grande confusão que se fez na cabeça dele por não ter orelhas de burro. Começou a fazer perguntas e mais perguntas. E logo o mandavam calar. O príncipe ficou muito furioso. E mandou fadas com feitiços. E mandou a polícia. O rapaz passou a ter de andar disfarçado com orelhas postiças para salvar a vida.
Eu creio que o rapaz começou a perceber a arte da política (e neste ponto estou a chamar os vossos pais para a conversa, até porque, como disse um outro poeta chamado Fernando Pessoa, “nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças”). Eu penso que o autor está a desafiar-nos a não fazermos ouvidos de mercador ao melhor da política, à democracia, à liberdade. Está a dizer-nos que quando um burro fala, mesmo que seja príncipe, os outros não têm de baixar as orelhas. Mas perguntem-lhe se foi isso que ele já está com as orelhas a arder.
Entretanto não vou contar a história toda, peço apenas que a leiam e se deliciem com as belíssimas ilustrações da Marta Madureira. Que leiam este livro com atenção e prazer e que o discutam com os vossos pais.
Acima de tudo, a frase final.
Afinal, este livro vem dizer-nos que as ideias, tal como as orelhas, não têm de ser todas iguais. Que é muito triste um país onde todos têm de pensar da mesma maneira. Onde tem de haver UNANIMIDADE. Deixo aqui esta palavra para complicar a conversa. Um escritor brasileiro chamado Nelson Rodrigues dizia que toda a unanimidade é burra. É claro que esta é uma frase certeira mas perigosa, uma deliciosa armadilha. Porque estamos todos de acordo com ela. E, nesse caso, o nosso acordo é unânime. Ora se toda a unanimidade é burra, lá temos as orelhas a arder. Seja como for devemos escutar todas as vozes, a começar por aquelas quem dizem coisas diferentes, devemos usar bem os ouvidos e as orelhas, tenham elas o tamanho que tiverem.
E para isto acabar num brinquinho, lembro o aviso que o poeta Alexandre O’Neill nos fez num poema chamado “A saca de orelhas”: “Não faças brincos de cerejas sem te darem primeiro as orelhas”». [Fernando Alves]

«O RAPAZ SEM ORELHAS DE BURRO» NO JORNAL PÚBLICO

Uma das sugestões de Rita Pimenta na edição do passado sábado no jornal Público foi o livro «O Rapaz sem Orelhas de Burro» de João Manuel Ribeiro (texto) e Marta Madureira (ilustrações).
Na página 19, do P2 - Crianças, pode ler-se:

Mais um livro satírico à volta das hipocrisias da sociedade e do mundo. Começa assim: “Embora ninguém lhe conheça a geografia, há um país onde os homens e as mulheres têm orelhas de burro”. As fadas gémeas do poder e da vaidade conseguiram seduzir um príncipe (onde é que eu já vi isto?) e a fada da sabedoria pôs-lhe umas orelhas de burro. E passou a ser considerado normal (e recomendável) ser igual ao príncipe. Mas há naquele país um rapaz diferente, que de burro nada tem, nem as orelhas. Há-de perder a liberdade, mas não a voz.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

NA SALTA FOLHINHAS

Anabela Dias e João Ferreira Oliveira tiveram ao seu redor uma pequena multidão de amigos, pequenos e graúdos que quiseram ouvir (e ler também) todas as histórias de «A Origem das Espécies Reinventada», no passado Sábado, na livraria Salta Folhinhas. Os autores explicaram aos presentes algumas das razões que fizeram nascer e crescer assim (e não de outro modo) as histórias escritas e ilustradas.
Algumas das crianças presentes, ao aperceberem-se do tamanho das histórias, quiseram ler para as outras e para todos. E que bem que nos soube! Ver e ouvir as crianças a ler (quase a soletrar) as histórias de um livro que foi escrito para elas (mas não só). Os adultos presentes também se riram e divertiram com o curso de algumas evoluções ou transformações das espécies.
A concluir, foram muitos os autógrafos, muitos mesmo!

NA REVISTA «OS MEUS LIVROS»

O n.º 106 de revista «Os Meus Livros» aprecia dois livros da Trinta Por Uma Linha.

O MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE SALZEDAS – as formigas, o gaio e as pedras

Centrado no Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, nas suas histórias e nas suas lendas, as disposição de divulgar um imaginário e um património de que urge falar, dar a conhecer e visitar, este livro é um auxiliar precioso no manancial de informação que disponibiliza. Concebido em co-edição com a Direcção Regional de Cultura do Norte – Secretaria de Estado da Cultura, trata-se de um trabalho que se insere no Projecto Vale do Varosa, uma iniciativa centrada na recuperação do património histórico-religioso da região do Varosa (em Lamego). Um mosteiro com a idade do nosso país, as formigas que o testemunham, um gaio fundador e as pedras que permanecem são os protagonistas de uma narrativa a reter.

O DIABO DO ALFUSQUEIRO

As histórias tradicionais não são, originalmente, destinadas a crianças. Há, aliás, uma ligação íntima e obtusa entre a narração oral que fundou o património imaginário das populações ao longo dos séculos, as histórias de cordel e a literatura infantil, todas rotuladas de menores no cânone da literatura universal. Por isso, não é imediata a relação entre uma história tradicional e o destinatário final. E se o autor não tem de escrever a pensar especificamente que terá como leitores preferenciais crianças dos cinco aos oito anos, é certo que não pode escrever para crianças como escreveria para adultos.
Esse é o principal desequilíbrio desta história, que padece de três males.
Em primeiro lugar, a construção sintáctica é por demais complexa para os mais novos, cheia de orações coordenadas e intercaladas, que dão uma dimensão excessiva às frases. Em segundo lugar, a narrativa perde-se em considerações e reflexões que não ajudam a captar a atenção para o dilema do homem honrado, que promete construir uma ponte sobre o rio Alfusqueiro e, sabendo não o conseguir, faz um pacto com o Diabo. A história tem todos os ingredientes, por si só, para ser interessante. Não carece de mais informações, apenas de uma voz que a conte. Finalmente, a técnica e as cores da ilustração, bem como o grafismo do texto, não lhe conferem limpidez e dificultam a leitura.


A apreciação a este título, intitulada «Três males» não é favorável. Podíamos ignorá-la e não a publicar aqui. Mas partilhamo-la por uma questão de honestidade intelectual. Se publicamos todas as outras (favoráveis), impõe-se-nos que o façamos também agora (apesar de desfavorável). Uma opinião diferente sobre o mesmo livro pode ser lida
aqui.